8 de fevereiro de 2017

A mente das borboletas racionais

A mente nas nuvens, na barriga,
As borboletas, que insistem em voar.
Que no interior não voam, e causam,
Por conseguinte, uma sensação de vazia plenitude.
Que inunda aquela mente onírica.

No racional, então, implode:
-Mas, você já se perguntou: Até onde?
Não sei, de maneira súbita, respondi.
E, por um instante, o peito pulsa em clamor.

E no rio, onde o penhasco mental desagua,
De águas límpidas e alma boa,
Mergulhei.

Rompe, então, a dúvida ensurdecedora:
Nesse rio, de águas claras, quão fundo vai tua visão?

-Raso o suficiente para tentar.

19 de setembro de 2016

Um egoísta irracional

Eu não sei o que se passa em minha cabeça.
Esse mistério que romoe as entranhas e me fazer querer vomitar,
Esse desejo de dominância e de achar ser detentor de todos sentimentos.
Não existe.
Mas meu inconsciente insiste em ser egoísta.
Eu não sei o que se passa comigo;
Ao mesmo tempo que estou bem, não estou mais. Ouço algo que me traga lembranças, e pronto, afundei.
Queria poder olhar e sentir naturalidade com essas situações,
Queria poder esquecer, ou lembrar sem sentir.
E egoísmo atras de egoísmo, perda atras de perda, decepções atras de decepções, vou me enchendo de pensamentos incríveis, no sentido literal.
E essa enchente transborda,
A enchente encharca.
Deixo de enxergar,
As lagrimas rolam,
A chuva cai,
E o sentimento não sai.
A enchente alaga o coração, a mente, mas não a boca.
E tudo isso preso, continua preso, numa loucura revoltante, lutando por liberdade.
Mas a vertente racional impede.
Nesse impedimento o coração explode,
A cabeca explode,
A barriga explode,
Os sentimentos se perdem,
E um novo mistério corrói minhas entranhas.

15 de fevereiro de 2015

Aventura ascendente

     Jussara transformara-se; tornou um copo de gim. Misturou com uisque. Fumou, esqueceu, tomou. A lua tomou seu mundo, sua imensidão iluminada por um sol escondido. Crateras. Montanhas, montes, vermelhos. Linhas verdes e vermelhas conectando-se, tornando-se uma. Várias e variáveis formas; diversas perspectivas, diversos universos, paralelos; de uma realidade escondida. Preservada. Da ignorância.
      Olhou para o infinito, ocluído pelo horizonte. Descoberto pela lisergia de um cérebro. Pela imensidão da conectividade entre pensamentos, então, perdidos. Entre névoas e obscuridades advindas de um subjetivo instrínseco. Clarões obscuros, cegando a paisagem; faces, caras, perversos. E uma risada ecoando; o mar gritando. Grilos, grilando. Sons inacabáveis da natureza, criada pela Natureza. Rica.
     Voltou. Olhou ao redor, obteve seu paradeiro.
     Árvores em formas animalescas, suas símiles ecoando sobre mim. Histeria. Sons, sons, do mar e d'outros animais, gritando; expelindo suas angustias, suas dores.
     Nasce o sol, um clarão eclodindo. Jussara estava sentada atordoada. O sol dominando sua visão; raios nascendo em direção ao novo Mundo. Governado pela paz, trazido por pensamentos coerentes e lógicos, criados por uma realidade experimental, adquirida empiricamente pela acidez do momentos. Uma acidez que adocica a mente, e enaltece pensamentos tangentes, até então longínquos.
      É essa a verdadeira realidade, e não a redoma social em que as outras formigas estão submetidas. Coitadas.

1 de fevereiro de 2014

A trangressora formiga mundana

Sucumbiu. Jussara passou todo esse tempo transgredindo regras e mais regras do Estatuto Intersocial das Formigas. Mas dessa vez passou os limites! Abusada. Ela tomou do mel das abelhas da periferia do jardim. Como começar a contar essa história?

Joana é a abelha dona da colmeia mais famosa do norte de jardim, mora perto da rodovia 420 sentido Meca. Em sua colmeia é produzido o mel mais saboroso, prazeroso e abominável do jardim. Seus efeitos incluem: satisfação, felicidade e provoca uma sensação de liberdade infinita. Tornou-se proibido e desprezado pela comunidade de Jardinlândia por ser comido por gafanhotos (criaturas marginalizadas por serem muito feias). Joana não tem problemas com gafanhotos e nem com ninguém do jardim, por isso produz esse mel.

Jussara sucumbiu a esse mal. Experimentou pela primeira vez com sua amiga Maria, que era uma grande amiga de Joana. Não pensou na ilegalidade de seu ato, e tomou, se lambuzou e se despiu de todo e qualquer invólucro, mesmo que por poucas horas. Conseguiu pensar, refletir e entender muitas obscuridades criadas pelos axiomas da Formigreja, comandada pela Rainha. Se sentiu bem por infringir uma lei tão obsoleta. Se sentiu nua de qualquer sentimento ruim que possa existir. Seus sentidos aflorados, sua boca melada, seu rosto caído, seus olhos fechando, sua palidez momentânea. Riu.

Infelizmente não podiam assumir sua verdadeira paixão pelo mel de Joana, era proibido. Aderiram ao movimento secreto que visava a disseminação do mel. Era um movimento composto de diferentes raças: formigas, abelhas, gafanhotos, até mesmo algumas borboletas (animais conhecido pela sua conduta fiel as regras). Movimento pela liberdade de expressão, pensamento. Liberdade para ser ela.
Esqueceu, porém, que vive numa sociedade regrada por uma absoluta. Sua ideias conservadoras e que priorizam os poucos detentores do poder são imutáveis. Por enquanto.

Jussara acreditava se tornar mais humana por fazer parte de um movimento, como vira nas televisões da casa principal, humanos lutando contra o aumento das tarifas do transporte público. E ela estava se tornando mundana. Jussara, como todas criaturas, involuem para a raça humana um dia ou outro. Mal sabe ela a maldição que sua vida se tornará quando tornar-se uma mulher. Verá a escória em que a população humana esta sujeita. Enquanto isso continuará a se lambuzar, deleitar e gozar de tamanha liberdade controlada.

18 de janeiro de 2014

Prefiro meu Requiem

Cansado de ouvir palavras, sussurros.
Farto de tanto vilipêndio, de tanto rancor espalhado.
Silêncio. Confortante. Cortante. Lacerante.
A ambiguidade do silêncio:
Paz por não ouvir tanto ódio.
Terror por não comunicar, por não trocar ideais.
Se tem algo que me incomoda, é o silêncio.
E o barulho.
Há, entretanto, a dose certa. Aquela colher de sopa de silêncio.
Aquela colher de chá de barulho.
E 2kg de paciência.
Não achei no mercado pra comprar.

Estranho falar isso, sem ser ouvido, falar no interior, esperando uma resposta.
Minha resposta é meu id e meu superego gritando: NÃO! SIM!
Prefiro meu ego, calado, em dias de sofrimento.
Meu ego triste, solitário.
Chora, sozinho.
Esperneia.
Não adianta, ninguém o ouve. A frequência é diferente,
Uma outra sintonia. Do silêncio, da quietude. Da Paz.

A Paz que o silêncio nos traz... A Paz que o Requiem nos traz, em seu monótono e brilhante barulho.